Este também tem sido um tema que merece nosso cuidado:
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Realmente eu já ouvi falar deste livro, mas nunca o li. O ser humano não suporta muito bem a tragédia grega, pois no final algumas pessoas se dão mal (como ir parar no inferno) e não há esperança para elas. As pessoas gostam mais do drama, onde apesar de todo o sofrimento durante a vida no final vai dar tudo bem.
Depois deste Email, comentado o livro fiquei com vontade de lê-lo também, acho que vou acabar comprando um.
Obrigado pela "dica".
Fernando
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Acredito que se analizarmos a vida deste senhor Young teremos mais informações para analiar o que e passa na sua mente
Jessé Nakel
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Senhores Moderadores:
Por vezes, algumas de minhas opiniões pareça ser de um fundamentalista. Tai uma oportunidade onde posso afirmar agora: não sou, tendo em vista a questão do livro "A Canaba" de autoria de William P. Young.
Paralelamente sobre este assunto do livro, já ouvi muitas considerações de alguns irmãos batistas, sobre autores de novelas, (especialmente da Rede Globo de Televisão), onde alguns analisam o conteudo das novelas, comparativamente com a teologia. Novela é ficção e por ser ficção não cabe análise sério; portanto, não podem ser analisadas a luz das Escrituras; mesmo porque, todas as vezes que alguém se levanta para combater novelas, ao invés de anular sua mensagem, contribui; pois acabam dando o ibope esperado pelos novelistas e pela emissora de televisão, além do que, conclui-se: os analistas estão assistindo, de outra maneira não poderiam analisar seu enredo. E se assistem, é porque gostam. Da mesma maneira, penso, a respeito de análise sobre livros de ficção. Se a própria palavra diz: "ficção", entende-se que é algo inconcreto, irreal, imaginário, apenas uma estória sobre uma aventura cujos personagens são
criação do autor ou dos autores. E se é irreal não cabe considerações, pois não passam de simples aventura, obra da imaginação, sem conteudo ou compromisso, especialmente, com a verdade. Portanto, não podemos pegar ao pé-da-letra e imaginar que há algo real na estória ou na narrativa. Quando leio livros iguais de "A Cabana", não analiso como real, ainda que tenha conteudo cristão, pois o autor não está preocupado com doutrinamente correto, e nem pretende na narrativa defender alguma doutrina bíblica, não sendo, portanto, sua preocupação primeira. Tanto é, que analisado, e negativamente desconsiderado, (conforme análise abaixo), já é uma evidência que não há por parte do autor qualquer preocupação com o teologicamente correto, pois o leitor e analista crítico, percebeu e entendeu que há erros teológicos. Mesmo que o autor pretenda passar esta imagem ela se perde, se esvazia, por ser apenas uma obra fictícia,
de um artista surrealista, e todo aquele que friamente o lê, percebe isto. Aliás, o próprio autor afirma isto no prefácio: "confesso que desejo desesperadamente que tudo o que Mack me contou seja verdade. Na maioria das vezes eu me sinto próximo dele, mas em outras - quando o mundo visivel de concreto e computadores parece ser o real - perco o contato e tenho dúvidas".
A bem da verdade, não ousaria afirmar que o autor queira passar a idéia de um "Universalismo Cristão". Se esta é sua pretensão, precisaríamos ouvir outras vozes
para uma análise mais abrangente, dos experts no assunto. Ora, a priori, não consigo enchergar assim. Se leio um livro de ficção, ficticiamente ele o é; portanto, está desprovido de qualquer ensino religioso. Por outro lado, se eu ler um livro de doutrina sistemática, ali encontrei ensino de natureza essencialmente cristã e profundamente dogmático.
A respeito da citação e advertencia do blog de O Bereano:
"Logo no início desta resenha, fiz uma pergunta: "Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?" Neste caso a resposta é sim, pois Young é deliberadamente teológico. A ficção serve à teologia, e não vice-versa".
Mas se é ficção não existe teologia. Ainda que a preocupação seja válida, como vamos analisar uma obra ficticia? É neutra em si mesma. A não ser que toda a obra fique sob judice, perdendo seu valor literário; mas como perderá, se já alcançou sete milhões de cópias?
Bem, deixo a resposta com os especialistas na matéria. Fiz apenas comentários na visão de um simples leitor.
Agradeço aos senhores moderadores a inserção, se relevante for.
Rubens Daminelli
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Queridos,
Impressionante o quão taxativo é este e-mail em relação a um livro que, na
pior das hipóteses, julgo ser uma boa primeira apresentação do que seria o
relacionamento com Deus.
Imagino que, fossem estes tempos de inquisição, os livros em mãos dos
batistas deveriam ser lançados à fogueira, pelo conselho de "The Berean
Call" (ou seria "The Berean Watch"?).
Acho até engraçado ler coisas como "uma heresia condenada pela igreja
primitiva". Que igreja primitiva? De que século? De que grupo? De que
liderança? De que região? E, mais importante, de que confissão?
Muitas das primeiras igrejas, antes da formação de uma ortodoxia formal, ou
institucional, eram de confissão completamente estranha às doutrinas que
temos hoje por "cristãs".
Outra coisa (política, por certo) é a negativa de que Jesus não tenha
querido formar instituições. Então ele quis? Jesus era judeu ou cristão? E
ele formou alguma instituição de verdade, na concepção de instiuições
conforme as temos hoje, ou mesmo de então? Se assim o for, devemos mesmo ter
um papa, que descenda desde Pedro - hipótese que rejeito por completo.
Ou ficamos com o fato de que ele era (e é) superior inclusive a estas
categorizações, ou nossa própria fé será num ser estritamente preso à agenda
de grupos específicos, ao dispor e sabor de nossas confissões (e não o
contrário, que, como penso, seria mais correto).
A respeito da teologia, chave mestra de leitura de um romance, acho que
seria salutar trazer algumas palavras do teólogo considerado como maior do
século passado para a discussão, Karl Barth:
*"Mas poderá também acontecer que a teologia saiba com demasiada
segurança (e portanto absolutamente não saiba) do poder vital do Espírito,
que é indispensável para a cristandade como um todo e para o cristão
individualmente e, portanto, indispensável também para ela, já que parece
ter-se esquecido de que esse vento sopra onde ele quer, que sua presença e
sua ação representam a graça de Deus, do Deus sempre livre, sempre superior,
que sempre se dá de si mesmo de forma imerecida e incalculável. Então tal
teogolia julgará poder lidar com ele como se o tivesse arrendado ou até dele
se tivesse apoderado, como se fosse um força da natureza, igual à água, ao
fogo, à eletricidade, à energia atômica, etc., descoberta, dominada e
ativada pelo ser humano. Assim como uma igreja estulta pressupõe a
presença e a ação do Espírito em sua própria existência, em seus
ministérios, seus sacramentos, suas ordenações, consagrações e absolvições,
da mesma maneira uma teologia estulta o pressupõe como premissa conhecida e
disponível de suas próprias teses. Mas um espírito pressuposto certamente
não será o Espírito Santo, assim como uma teologia que o pressupõe será
teologia não-espiritual."* (BARTH, K. Introdução à Teologia Evangélica.
Tradução de Lindolfo Weingärtner, 5ª ed. rev. São Leopoldo, RS: Sinodal,
1996, p. 40)
Não digo que não haja erros na teologia de Young, às vezes querendo exagerar
um ponto para lhe dar maior significado. Sim, há, mas não é isso o que
algumas boas pregações também fazem? Eis aí a velha trave e o velho cisco.
Se há uma inclinação do autor de *A Cabana* para um movimento de
"Universalismo Cristão", como apontado pelo e-mail "bereano", esta
inclinação se dá nas entrelinhas e é algo à margem e que não compromete o
conteúdo do texto como um todo, que fala, na verdade, do grande amor de Deus
pela humanidade e de como Ele se importa com o nosso sofrimento, a ponto de
se envolver nele diretamente, morrendo na cruz.
Vale dizer que na página 99 do livro em Português não há nenhuma referência
ao assunto da Trindade, portanto, acho que a numeração das páginas poderia
ser revista, para uma leitura adequada da crítica. Por isso, não pude
encontrar a tal proposição de que toda a Trindade tenha sido crucificada com
Cristo.
Por fim, o livro, de forma alguma deve ser tomado como um manual de
teologia, nem acho que teve esta proposta em momento algum. O mesmo deve
ocorrer com *As Crônicas de Nárnia*, ou outros romances que estejam
completamente comprometidos com uma visão espiritual cristã do mundo. Nenhum
leitor consciente da leitura apelará para *A Cabana* como "regra de fé e
prática cristãs". Mas pode ser que muitos dos que leiam o livro se voltem
para o Livro.
Espero ter acrescentado um ponto de vista à discussão.
Em Cristo sempre,
André
www.andrevhs.blogspot.com
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Recentemente, as vendas do livro A Cabana aproximaram-se de [sete] milhões de cópias. Já se fala em transformar o livro em filme. Mas, enquanto o romance quebra os recordes de vendas, ele também rompe a compreensão tradicional de Deus e da teologia cristã. E é aí que está o tropeço. Será que um trabalho de ficção cristã precisa ser doutrinariamente correto?
Quem é o autor? William P. Young [Paul], um homem que conheço há mais de uma década. Cerca de quatro anos atrás, Paul abraçou o "Universalismo Cristão" e vem defendendo essa visão em várias ocasiões. Embora freqüentemente rejeite o "universalismo geral", a idéia de que muitos caminhos levam a Deus, ele tem afirmado sua esperança de que todos serão reconciliados com Deus, seja deste lado da morte, ou após a morte. O Universalismo Cristão (também conhecido como a Reconciliação Universal) afirma que o amor é o atributo supremo de Deus, que supera todos os outros. Seu amor vai além da sepultura para salvar todos aqueles que recusaram a Cristo durante o tempo em que viveram. Conforme essa idéia, mesmo os anjos caídos, e o próprio Diabo, um dia se arrependerão, serão libertos do inferno e entrarão no céu. Não pode ser deixado no universo nenhum ser a quem o amor de Deus não venha a conquistar; daí as palavras: reconciliação universal.
Muitos têm apontado erros teológicos que acharam no livro. Eles encontram falhas na visão de Young sobre a revelação e sobre a Bíblia, sua apresentação de Deus, do Espírito Santo, da morte de Jesus e do significado da reconciliação, além da subversão de instituições que Deus ordenou, tais como o governo e a igreja local. Mas a linha comum que amarra todos esses erros é o Universalismo Cristão. Um estudo sobre a história da Reconciliação Universal, que remonta ao século III, mostra que todos esses desvios doutrinários, inclusive a oposição à igreja local, são características do Universalismo. Nos tempos modernos, ele tem enfraquecido a fé evangélica na Europa e na América. Juntou-se ao Unitarianismo para formarem a Igreja Unitariana-Universalista.
Ao comparar os credos do Universalismo com uma leitura cuidadosa de A Cabana, descobre-se quão profundamente ele está entranhado nesse livro. Eis aqui algumas evidências resumidas:
1) O credo universalista de 1899 afirmava que "existe um Deus cuja natureza é o amor". Young diz que Deus "não pode agir independentemente do amor" (p. 102),[1] e que Deus tem sempre o propósito de expressar Seu amor em tudo o que faz (p. 191).
2) Não existe punição eterna para o pecado. O credo de 1899 novamente afirma que Deus "finalmente restaurará toda a família humana à santidade e à alegria". Semelhantemente, Young nega que "Papai" (nome dado pelo personagem a Deus, o Pai) "derrama ira e lança as pessoas" no inferno. Deus não pune por causa do pecado; é a alegria dEle "curar o pecado" (p. 120). Papai "redime" o julgamento final (p. 127). Deus não "condenará a maioria a uma eternidade de tormento, distante de Sua presença e separada de Seu amor" (p. 162).
3) Há uma representação incompleta da enormidade do pecado e do mal. Satanás, como o grande enganador e instigador da tentação ao pecado, deixa de ser mencionado na discussão de Young sobre a queda (pp. 134-37).
4) Existe uma subjugação da justiça de Deus a seu amor - um princípio central ao Universalismo. O credo de 1878 afirma que o atributo da justiça de Deus "nasce do amor e é limitado pelo amor". Young afirma que Deus escolheu "o caminho da cruz onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor", e que esta maneira é melhor do que se Deus tivesse que exercer justiça (pp. 164-65).
5) Existe um erro grave na maneira como Young retrata a Trindade. Ele afirma que toda a Trindade encarnou como o Filho de Deus, e que a Trindade toda foi crucificada (p. 99). Ambos, Jesus e Papai (Deus) levam as marcas da crucificação em suas mãos (contrariamente a Isaías 53.4-10). O erro de Young leva ao modalismo, ou seja, que Deus é único e às vezes assume as diferentes modalidades de Pai, Filho e Espírito Santo, uma heresia condenada pela igreja primitiva. Young também faz de Deus uma deusa; além disso, ele quebra o Segundo Mandamento ao dar a Deus, o Pai, a imagem de uma pessoa.
6) A reconciliação é efetiva para todos sem necessidade de exercerem a fé. Papai afirma que ele está reconciliado com o mundo todo, não apenas com aqueles que crêem (p. 192). Os credos do Universalismo, tanto o de 1878 quanto o de 1899, nunca mencionaram a fé.
7) Não existe um julgamento futuro. Deus nunca imporá Sua vontade sobre as pessoas, mesmo em Sua capacidade de julgar, pois isso seria contrário ao amor (p. 145). Deus se submete aos humanos e os humanos se submetem a Deus em um "círculo de relacionamentos".
8) Todos são igualmente filhos de Deus e igualmente amados por ele (pp. 155-56). Numa futura revolução de "amor e bondade", todas as pessoas, por causa do amor, confessarão a Jesus como Senhor (p. 248).
9) A instituição da Igreja é rejeitada como sendo diabólica. Jesus afirma que Ele "nunca criou e nunca criará" instituições (p. 178). As igrejas evangélicas são um obstáculo ao universalismo.
10) Finalmente, a Bíblia não é levada em consideração nesse romance. É um livro sobre culpa e não sobre esperança, encorajamento e revelação.
Logo no início desta resenha, fiz uma pergunta: "Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?" Neste caso a resposta é sim, pois Young é deliberadamente teológico. A ficção serve à teologia, e não vice-versa. Outra pergunta é: "Os pontos positivos do romance não superam os pontos negativos?" Novamente, se alguém usar a impureza doutrinária para ensinar como ser restaurado a Deus, o resultado final é que a pessoa não é restaurada da maneira bíblica ao Deus da Bíblia. Finalmente, pode-se perguntar: "Esse livro não poderia lançar os fundamentos para a busca de um relacionamento crescente com Deus com base na Bíblia?" Certamente, isso é possível. Mas, tendo em vista os erros, o potencial para o descaminho é tão grande quanto o potencial para o crescimento. Young não apresenta nenhuma orientação com relação ao crescimento espiritual. Ele não leva em consideração nem a Bíblia, nem a igreja institucional com suas ordenanças. Se alguém encontrar um relacionamento mais profundo com Deus que reflita a fidelidade bíblica, será a despeito de A Cabana e não por causa dela.
The Berean Call
(As páginas citadas são as da edição original em inglês.)
http://obereano.blogspot.com
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